O Transporte (não preparado para o) público do DF
- Luiz Fellipe Alves

- 5 de set. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 20 de set. de 2024
Redação por: Danielly Rodrigues, Luiz Fellipe e Pedro Rodrigues
O transporte público do DF atende cerca de 1,355 milhões de passageiros, entretanto, a frota de 12.764 veículos não é suficiente e nem preparada para atender essa quantidade de público. Com isso, é comum, queixas de ônibus superlotados e de mau funcionamento das linhas que transportam os passageiros pelo DF.
Segundo matéria do Métropoles, a empresa Marechal tem 78% da frota não renovada desde sua última renovação de concessão em 2013. Dos 464 ônibus disponíveis, apenas 101 veículos foram renovados, sendo que, no contrato da última concessão, estava previsto que 100% da frota seria renovada até 2023, o'que não se cumpriu, inclusive, com ônibus que ultrapassam a data limite de circulação (no caso de ônibus comuns, o prazo é de sete anos).
“Sinto um descaso por parte da Marechal, que parece não se importar com a população que depende de ônibus todos os dias para se locomover.” Assim se sente a estudante Joice Rodrigues, 20, sobre a atual situação do transporte público que pega todo dia pra ir pra faculdade e pro trabalho.

Ônibus da Marechal com data limite excedida - Foto Por Luiz Fellipe -
Sobre a renovação dos ônibus, a empresa Marechal não quis responder e repassou para a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) que informa "O Sistema de Transporte Público Coletivo do DF (STPC/DF) é composto por cinco áreas operacionais, com uma empresa concessionária atuando em cada área. Importante esclarecer ainda que os veículos do STPC/DF são renovados pelas concessionárias quando atingem a idade de 7 anos para ônibus básicos e miniônibus, e de 10 anos para articulados”.
Perguntada sobre a renovação da concessão e a não renovação das frotas Joice relatou: "A não renovação da frota prejudica muito os passageiros, porque muitas vezes os ônibus antigos, por estarem em péssimas condições, acabam quebrando no meio do caminho, o que atrasa a todos que estão nele.”
Ainda em resposta, a Secretaria informa que nas áreas 1, 2 e 3, respectivamente sobre responsabilidade de Piracicabana, Pioneira e Urbi, as frotas foram 100% renovadas, na área 4, sobre responsabilidade da Marechal, a frota está em processo de renovação e com contrato renovado em “condição resolutiva”.
A situação torna-se ainda mais desafiadora no Valparaíso de Goiás e em regiões do entorno do DF devido às suas características de cidade dormitório. Muitos moradores enfrentam a difícil realidade que é trabalhar ou estudar no Distrito Federal e depois retornar diariamente às suas casas no Valparaíso.
O tempo gasto em deslocamento, a infraestrutura de transporte que nem sempre é adequada para lidar com o grande fluxo de trabalhadores e estudantes que atravessam diariamente a fronteira entre as duas regiões corroboram com esse problema.
João Caetano, estudante de ensino superior utiliza diariamente o setor de transporte público e sente esses impactos, o jovem diz “eu acredito que a principal falha é a quantidade de ônibus que passam aqui, diferente dos de Brasília”. Essa situação afeta diretamente a rotina de João, pois o tempo gasto em deslocamento é prolongado, a falta de ônibus suficientes comprometem sua pontualidade em compromissos, como aulas.
Alguns passageiros resolvem optar pelo uso do Metrô-DF, que atende mais de 100 mil passageiros por dia, passageiros que também não conseguem um transporte tranquilo. Hoje em horário de pico o Metrô-DF conta com 24 trens.

Foto por - Metrô-DF
A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) tem uma concessão protocolada no TCU para a privatização dos serviços. O ex-Secretário de Mobilidade, Valter Casimiro em entrevista ao G1 diz que acredita ser a melhor opção.
O Governo do Distrito Federal irá economizar mais de 130 milhões por ano e a expectativa é que após a privatização tenha um adicional de 16 trens, totalizando 40 em funcionamento.
Em 2023 os problemas com a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal só aumentaram. Vagões lotados, lentidão em horário de pico e despreparo da companhia quando há problemas, o que acaba prejudicando os passageiros. Além disso, o metrô conta com equipamento antigo e desgastado que constantemente vem dando problemas.




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