top of page

Por que a geração Z é a mais deprimida?

  • observatorioudfon
  • 7 de dez. de 2023
  • 9 min de leitura

Redação por João Augusto Pires



Não é novidade que a geração nascida de 1990 a 2010, mais conhecida como

geração Z, é considerada a mais deprimida atualmente. Mas por que ela é a mais deprimida

dos últimos tempos? Qual foi a causa disso tudo isso? Em uma entrevista com a psicóloga

Alessandra Araújo Vieira e a socióloga Alessandra Montes obtivemos algumas respostas.


A Socióloga diz que existem algumas questões importantes quando se avalia a

geração Z. A principal é o advento da disseminação das redes sociais que impactam as

relações humanas. Alguns estudos na área da psicologia apontam para um aumento da

ansiedade social e até mesmo com o impacto da pandemia. O ser humano é ser social,

segundo Aristóteles, sua natureza é viver em sociedade e na convivência humana buscar

sua felicidade. No entanto, quando nos deparamos com outros autores como Byung-Chul

Han, na Sociedade do Cansaço, pode-se perceber que atualmente vivemos uma era de

velocidade rápida e cansaço excessivo, dificultando conexões reais entre as pessoas. E

isso ocorre justamente vinculado com o uso de tecnologia na informação, o excesso de

informações muitas vezes tendem a gerar a ansiedade. O fator comparativo também entra

como uma questão para a geração Z, já que todos exibem suas vidas perfeitas diariamente

em redes sociais, fica difícil se sentir parte de um grupo social ou tribo, ou mesmo se sentir

suficiente


Já a psicóloga confirma que sim, é verdade que estudos indicaram um aumento nas

taxas de depressão e outros problemas de saúde mental entre jovens da geração Z em

comparação com gerações anteriores. No entanto, é importante observar que várias causas

podem contribuir para essa tendência, tendências essas que são.


  • Pressão Social: A geração Z cresceu em um ambiente altamente conectado digitalmente, o que pode criar pressões sociais, como a necessidade de se destacar nas redes sociais, o que pode levar à comparação constante com os outros.

  • Pressão Acadêmica: Muitos jovens enfrentam pressões acadêmicas intensas, com expectativas elevadas em relação ao desempenho escolar e à competição para entrar em universidades.

  • Mudanças na Família: Mudanças na estrutura familiar, como taxas mais altas de divórcio e famílias monoparentais, também podem impactar a saúde mental dos jovens.

  • Desafios Econômicos: Questões econômicas, como a dificuldade em encontrar emprego ou lidar com dívidas estudantis, podem causar estresse financeiro.

  • Isolamento Social: Embora a tecnologia tenha conectado as pessoas de maneira global, também pode levar ao isolamento social e à falta de interações face a face significativas.

  • Preocupações com o Futuro: Preocupações sobre o futuro, incluindo questões ambientais, econômicas e políticas, também podem contribuir para o estresse e a ansiedade entre os jovens.

Não se deve culpar a geração Z por esses problemas e nem mesmo as gerações

anteriores a ela, afirma a psicóloga. A mesma ainda diz que, em vez disso, é importante

reconhecer que a saúde mental é afetada por uma série de fatores individuais e sociais

complexos. Além disso, é fundamental promover a conscientização sobre a saúde mental,

oferecer apoio apropriado e investir em estratégias de prevenção e tratamento para todos,

independentemente da idade ou geração. Não é apropriado atribuir culpa às gerações

anteriores pelas taxas de depressão e problemas de saúde mental que as gerações mais

jovens enfrentam. As questões de saúde mental são complexas e multifacetadas, e muitos

fatores contribuem para esses desafios, incluindo fatores sociais, econômicos, culturais e

individuais.


As gerações mais antigas podem ter vivido em um contexto social diferente, com

desafios e pressões próprias, e também podem ter enfrentado questões de saúde mental.

Além disso, muitos avanços na compreensão e tratamento de problemas de saúde mental

ocorreram ao longo do tempo.


Em vez de atribuir culpa a gerações anteriores, é mais construtivo abordar questões

de saúde mental como um problema compartilhado que requer compreensão, apoio e

colaboração intergeracional. A promoção da conscientização sobre saúde mental, a

educação e o acesso a recursos adequados são maneiras mais produtivas de abordar

esses desafios de maneira eficaz e compassiva. É importante lembrar que enfrentar

problemas de saúde mental é uma responsabilidade coletiva que todos têm um papel a

desempenhar na busca por soluções e no apoio às pessoas que sofrem. É uma

responsabilidade coletiva abordar esses problemas e oferecer recursos para promover o

bem-estar emocional de todos.


A Socióloga Alessandra Montes ainda acrescenta que é muito comentado que

gerações anteriores eram pautadas em autoritarismo e preconceitos. O advento dos

movimentos sociais e seus impactos na democracia contemporânea ainda são questões

muito recentes. Muitos pais e avós ainda não compreendem que certos termos “sempre

falados” são hoje vistos como preconceituosos, por exemplo. Mas, cada geração educa a

seguinte com as ferramentas do seu tempo e de acordo com suas vivências de valores. Não

dá para culpar uma geração.


Pelo fato da geração Z ser atualmente a nossa geração de jovens adultos no

mercado de trabalho, é questionado como isso afeta o mercado e a própria humanidade.

Alessandra Araújo afirma que o aumento nas taxas de depressão e problemas de saúde

mental, especialmente entre jovens da geração Z, pode ter consequências significativas

para a sociedade toda. Alguns dos impactos diretos incluem.


  • Impacto na Qualidade de Vida: Indivíduos que sofrem de depressão e outros distúrbios de saúde mental frequentemente experimentam uma diminuição significativa na qualidade de vida, o que pode afetar sua capacidade de funcionar e desfrutar da vida.

  • Impacto Econômico: A depressão e outros distúrbios de saúde mental podem resultar em absentismo no trabalho, diminuição da produtividade e aumento dos custos de saúde, afetando a economia.

  • Custo em Saúde Pública: A crescente demanda por serviços de saúde mental pode sobrecarregar sistemas de saúde pública, aumentando os custos e dificultando o acesso a tratamentos adequados.

  • Impacto nas Relações Sociais: A depressão e outros problemas de saúde mental podem afetar negativamente as relações familiares e sociais, levando ao isolamento e à ruptura de relacionamentos.

  • Aumento das Taxas de Suicídio: A depressão é um fator de risco importante para o suicídio. O aumento nas taxas de depressão pode estar relacionado a um aumento nas taxas de suicídio, o que é uma preocupação de saúde pública grave.

Alessandra Montes comenta as consequências que as redes sociais, uma das

“culpadas”, acrescentam na vida do ser humano. Cyberbullying e a ansiedade podem ser

consequências diretas do uso excessivo de redes sociais sem filtrar conteúdos que façam

sentido, até mesmo questões mais agravantes em relação à saúde mental. Não há uma

única solução. Trata-se de adaptar esses adolescentes e jovens a encarar de forma

equilibrada a realidade social e virtual. Cuidar sempre para conseguirem socializar nos dois

“mundos”.


A psicóloga ainda acrescenta que para resolver esses problemas, é necessário

adotar uma abordagem multifacetada que envolva:


● Conscientização e Educação: Promover a conscientização sobre saúde mental desde cedo, na educação formal e em casa, para reduzir o estigma associado a problemas de saúde mental.

● Acesso a Tratamento: Garantir que haja acesso adequado a serviços de saúde mental, incluindo terapia e medicação, para aqueles que precisam de ajuda.

● Prevenção: Implementar programas de prevenção que promovam o bem-estar emocional e ensinem habilidades de enfrentamento saudáveis.

● Apoio Social: Criar redes de apoio sociais fortes, incluindo família, amigos e comunidades, que possam ajudar a combater o isolamento e fornecer apoio emocional.

● Redução de Pressões Sociais: Abordar pressões sociais, acadêmicas e econômicas que contribuem para o estresse e a ansiedade.

● Pesquisa e Inovação: Investir em pesquisa para entender melhor as causas e tratamentos para distúrbios de saúde mental e promover a inovação em tratamentos e intervenções.

● Liderança Política: Políticas governamentais que priorizem a saúde mental, alocação de recursos e acesso a cuidados adequados são fundamentais. Focando mais no mercado de trabalho, a especialista em psicologia nos traz mais tópicos.

● Absentismo e Diminuição da Produtividade: Pessoas que enfrentam problemas de saúde mental podem ter taxas mais altas de absentismo no trabalho e diminuição da produtividade. Isso pode afetar negativamente as empresas e a economia todo.

● Custo para Empresas: Empresas podem enfrentar custos adicionais devido a planos de saúde que cobrem tratamentos de saúde mental, programas de licença médica e custos associados à substituição de funcionários ausentes.

● Desafios de Retenção: A retenção de talentos pode ser um desafio, pois os funcionários que lutam com problemas de saúde mental podem estar mais inclinados a deixar seus empregos.

● Impacto na Cultura Empresarial: A cultura de uma empresa desempenha um papel crucial na saúde mental dos funcionários. Empresas que não oferecem apoio adequado à saúde mental podem enfrentar desafios na atração e retenção de talentos.

● Investimento em Bem-Estar: Muitas empresas estão reconhecendo a importância de investir em programas de bem-estar e saúde mental para funcionários como uma estratégia para melhorar o ambiente de trabalho e a produtividade.

● Mudanças na Natureza do Trabalho: A pandemia de COVID-19 acelerou tendências de trabalho remoto e flexibilidade. Isso pode afetar positivamente a saúde mental de algumas pessoas, mas também pode criar desafios de isolamento social para outros.

● Conscientização e Aceitação: A crescente conscientização sobre saúde mental está promovendo discussões abertas sobre o tema. Isso pode levar a um ambiente de trabalho mais compreensivo e solidário para os funcionários que enfrentam desafios de saúde mental.


É importante que as empresas estejam cientes desses desafios e tomem medidas

para promover a saúde mental no local de trabalho, fornecendo recursos, apoio e educação

para os funcionários. Isso não apenas beneficia os trabalhadores individualmente, mas

também pode melhorar o desempenho geral da empresa e a satisfação dos funcionários.

Cuidar da saúde mental no local de trabalho é fundamental para o bem-estar dos

funcionários e para o sucesso sustentável das empresas. E ainda no mercado de trabalho a

socióloga foca mais nas tecnologias dizendo que existe uma grande modificação no

mercado de trabalho. A era tão tecnológica, com uso de Inteligência Artificial e flexibilização

de direitos trabalhistas, traz um emprego totalmente diferente da segunda revolução

industrial, do fordismo, em que os pais e avós estiveram. Anteriormente, um trabalhador

bem-sucedido passava décadas da sua vida dedicado à mesma empresa. Hoje isso parece

uma estagnação. A velocidade também entra nesse processo, de pouca estabilidade, muita

inovação, acesso gigantesco ao conhecimento. Bauman, em Vida líquida, mostra que a era

atual se relaciona a tudo ser passageiro e breve.


Após toda essa explicação de o que ocorreu para a geração Z ser tão deprimida e

que consequências isso causa, foi questionado a Alessandra Araújo, o que uma pessoa

deve fazer quando está passando por esse tipo de situação. A psicóloga nos traz os

seguintes tópicos.


● Busque ajuda profissional: O primeiro passo fundamental é procurar ajuda de um profissional de saúde mental, como um psicólogo ou psiquiatra. Eles podem avaliar sua situação, fazer um diagnóstico adequado e oferecer orientação e tratamento apropriados.

● Converse com Alguém de Confiança: Falar sobre seus sentimentos com amigos, familiares ou colegas de trabalho em quem você confia pode ser reconfortante e proporcionar apoio emocional.

● Estabeleça metas realistas: Defina metas pequenas e alcançáveis para si. Isso pode ajudar a criar um senso de realização e progresso.

● Mantenha um Estilo de Vida Saudável: Priorize o sono adequado, alimentação equilibrada e exercícios físicos regulares. Esses fatores têm um impacto significativo na saúde mental.

● Pratique a Auto Compaixão: Seja gentil consigo mesmo e evite a autocrítica severa. Trate-se com a mesma compaixão que você ofereceria a um amigo que estivesse passando por um momento difícil.

● Mantenha Conexões Sociais: A solidão pode piorar a depressão. Faça um esforço para manter contato com amigos e familiares, mesmo quando não estiver se sentindo bem.

● Estimule o Interesse por Atividades: Engajar-se em atividades que você costumava desfrutar pode ajudar a elevar seu ânimo. Se não tiver interesse em antigas atividades, tente novas experiências.

● Pratique a Mindfulness e a Meditação: Essas técnicas podem ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade, melhorando a conscientização do momento presente.

● Evite o Isolamento: A tendência de se isolar é comum na depressão. Procure interações sociais, mesmo que em pequenas doses, para evitar o isolamento.

● Siga o Plano de Tratamento: Se um profissional de saúde mental prescreveu medicação ou terapia, siga o plano de tratamento conforme orientado.


Porém, a especialista deixa claro que cada pessoa é única, e o que funciona para

uma pessoa pode não ser eficaz para outra. Portanto, é importante personalizar as

estratégias de acordo com suas próprias necessidades e consultar um profissional de saúde

mental para orientação específica. A jornada para a felicidade pode ser desafiadora, mas

com o apoio adequado e ações positivas, é possível encontrar um caminho para o

bem-estar emocional.


Já Alessandra Montes diz que além de procurar ajuda profissional, ela recomenda

que saibamos filtrar os conteúdos que encontramos nas redes sociais. Mas que viva a vida

para além do tecnológico e do celular, não elimine os aplicativos, mas que conheça pessoas

e crie laços no mundo real.


Porém, a preocupação que fica é, “e a próxima geração ela pode passar pela

mesma situação ou até mesmo pior?” A psicologia afirma que a previsão do que as futuras

gerações enfrentarão em termos de saúde mental é uma questão complexa e incerta. A

saúde mental é influenciada por uma ampla gama de fatores, incluindo sociais, culturais,

econômicos e individuais, e esses fatores podem variar ao longo do tempo.


É importante reconhecer que cada geração enfrenta seus próprios desafios e

contextos únicos. As gerações futuras podem enfrentar questões diferentes daquelas

enfrentadas pelas gerações anteriores, devido a mudanças na sociedade, tecnologia,

economia e cultura.


No entanto, também é importante aprender com as experiências das gerações

anteriores e buscar maneiras de melhorar o suporte à saúde mental e a resiliência desde

cedo na vida das pessoas. Isso pode envolver a promoção de educação sobre saúde

mental, a redução do estigma associado aos problemas de saúde mental, o acesso a

tratamento eficaz e o desenvolvimento de habilidades de enfrentamento saudáveis.


Em última análise, a previsão do futuro da saúde mental das gerações futuras

depende de uma série de fatores complexos e interconectados. A criação de uma

sociedade que valoriza a saúde mental, oferece apoio e recursos adequados e promove a

compreensão e a aceitação é essencial para ajudar as futuras gerações a enfrentar os

desafios que possam surgir.


Já a socióloga novamente aborda sobre o tema de tecnologias dizendo que tudo

depende da forma como essa geração tende a lidar com acesso à tecnologia, no entanto,

uma questão que vale destacar como preocupante é a dificuldade de se relacionar e criar

laços sem utilizar telas.


Portanto, a razão pela qual a geração Z sofre tanto de depressão e ansiedade se

deve ao contexto que ela se vive, e que o uso indevido de tecnologias, principalmente das

redes sociais, tiveram grande impacto para que isso ocorresse. E isso afeta o mundo ao seu

redor e que o único jeito de que essa situação não se repita com a próxima geração é dar

mais atenção à saúde mental do ser humano e aprender com a forma que lidamos com isso

no passado e como podemos aprimorá-las no futuro, e também devemos dar mais valor e

tempo para se criar laços fora das telas.

Comentários


bottom of page