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Professores da rede pública sofrem com o quantitativo de alunos dentro das salas de aula do DF

  • observatorioudfon
  • 4 de dez. de 2023
  • 3 min de leitura

Reprodução: Sinpro-DF


Redação por Nara Bonfim


Lidar com o grande número de alunos dentro das salas de aulas tem trazido sérios problemas aos professores da rede pública, fazendo com que eles sejam obrigados a se afastarem do cargo. Segundo dados constados no boletim epidemiológico produzido pela Diretoria de Epidemiologia em Saúde do Servidor, da Secretaria de Planejamento, 5.178 servidores da rede pública de ensino precisaram de atestados médicos. Dentre esse número, 84,4% eram professores.


A superlotação, juntamente com a falta de investimento, tem adoecido os professores. Nossa categoria é a que mais tem adoecido no tema no SIAPMED, que é apresentado o atestado, e esse grande número de alunos é ligado diretamente ao adoecimento do professor”, informa a diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro) Letícia Montandon.


Para que haja um controle da quantidade de estudantes que são matriculados nas escolas e distribuídos nas turmas, o Governo do Distrito Federal (GDF), juntamente com o Sinpro, trabalham em conjunto para desenvolver a estratégia de matrícula do ano seguinte. Todavia, desde 2022, este diálogo não está sendo mais feito por parte do Governo. 


Devido a isso, a diretora do Sindicato afirma que a educação do DF teve um retrocesso de 15 anos. “Nós tínhamos um diálogo importante com a Secretaria de Educação quando montamos a estratégia de matrícula. Esse é um documento que visa fazer exatamente esse controle [de alunos]. Isso foi um grande avanço que a gente conseguiu construir ao longo dos governos anteriores, mas no governo Ibaneis, temos 15 anos de retrocesso, temos uma retroagem em 2022, sobrecarregando as turmas com lotação”, afirma Montandon.


Além de trazer prejuízos na saúde do professor, este problema também tem prejudicado o desenvolvimento dos alunos dentro das salas de aulas. Das etapas mais prejudicadas devido ao quantitativo de alunos está a educação infantil, pois a atenção precisa ser redobrada e sem a ajuda de um monitor ou um educador social, o andamento das aulas é prejudicado. 


Segundo a monitora do CAIC Santa Maria Norte Sandra Mateus (45), quando ela atuava como professora - 2013 a 2022 - suas turmas, com alunos entre 3 a 5 anos, sempre tiveram em média de 27 a 30 crianças. Ou seja, ficava inviável dar atenção para todos ao mesmo tempo.  “Uma das maiores dificuldades quando você trabalha com crianças entre 3 a 5 anos é desenvolver as atividades pedagógicas, porque a maioria não tem aquele hábito de pegar em lápis, canetinha, para realizar as atividades, então elas precisam de muita atenção, e quando se tem uma turma cheia de 27 a 30 crianças é praticamente impossível dar atenção que elas precisam”, informa Sandra Mateus.


Além disso, a monitora destaca que, com este número de crianças, o desempenho delas no ano letivo não era dos melhores. “O desempenho das crianças não é do jeito que a gente gostaria que fosse, porque fica mais difícil ajudar o aluno a se desenvolver nas atividades, sendo que você tem mais 29 para auxiliar. Isso não acontece quando se tem uma turma de 15 a 20 crianças, por exemplo”, comenta.


Para mudar esta situação, é necessário o investimento da Secretaria nas construções de mais escolas, na ampliação das salas e na contratação de novos professores efetivos para controlar esta demanda. Porém, a diretora do Sinpro destaca ainda que o Plano Distrital de Educação (PDE), onde são colocados todas as metas que devem ser batidas, como ampliação da rede, construção de novas instituições, está “totalmente jogado fora”. “O Governo só trabalha na pressão, se não pressionarmos ele, nada será feito”, pontuou.

 

 
 
 

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1 comentário


Luane Cabral
Luane Cabral
06 de dez. de 2023

Matéria excelente! Assunto muito bem representado pra hoje em dia. Parabéns!

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