Os dois lados da mesma moeda: como é mostrado o conflito Palestina X Israel, na mídia.
- observatorioudfon
- 31 de out. de 2023
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Redação por: Ana Clara de Lima

(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)
O conflito entre Israel e Palestina é o conflito com maior duração na atualidade, tendo seu início na década de 40, com sua causa sendo o controle do território palestino. No sábado do dia 7, o grupo militante islâmico conhecido, mundialmente, como Hamas fez um ataque a um kibutz (comunidades israelenses), que resultou em um massacre de famílias israelenses. Logo depois, na terça-feira do dia 10, Israel contra-atacou com bombardeios na área de Gaza, no decorrer do luto pela morte de seus cidadãos. É de extrema importância ressaltar que o Hamas não representa toda a nação da Palestina, o grupo é um conhecido movimento de resistência islâmica, fundado em 1987.
O início do conflito se dá em 1917 onde o Reino Unido declarou seu apoio a criação de um estado judeu dentro do território palestino, nos anos que se seguiram diversas movimentações foram registrados entre os anos de 1936 a 1939. Após a Segunda Guerra Mundial, em que milhões de judeus foram assassinados no Holocausto, se teve a aprovação da divisão da Palestina, feita pela Organização das Nações Unidas (a ONU) e fez com que o território fosse dividido em dois: sendo um o estado árabe e o outro o estado judeu. Desde então tem-se o conflito entre os dois lados, onde milhares de pessoas são feridas todos os anos e outros milhares de cidadãos são obrigados a abandonarem suas casas, e suas vidas.
As matérias escolhidas para essa análise foram: da BBC sobre o ataque do Hamas; da Agência Brasil que descreve o contra-ataque de Israel; e do Correio Braziliense que traz uma contextualização histórica sobre o conflito.
De acordo com a BBC, o ataque do Hamas levou várias famílias a perderem suas vidas e diversas outras ficaram feridas, o que parece ter acontecido nas primeiras horas das ações terroristas, também diz que o vilarejo foi surpreendido por tal invasão. No relato do exército israelense, onde dizem terem ficado desnorteados pela emboscada, também descreveram que o grupo terrorista foram cruéis por atacarem “cidadãos normais” e revelaram que algumas das vítimas desse ataque acabaram por serem decapitadas, o que não foi esclarecido se as ações foram feitas antes ou após a morte das pessoas.
A BBC ainda conta que as comunidades israelenses que faziam fronteira com Gaza, estavam, de certo modo, acostumados com o terror de bombardeios e que valorizavam a vida no campo tendo uma comunidade bastante unida; é citado que as casas tinham salas de segurança, que não era de esperar que o Hamas conseguiria acabar com as defesas do vilarejo.
Durante o dia de terça-feira (10), os corpos dos mortos foram colocados em sacos pretos e encaminhados para um local onde seriam feitos, o reconhecimento e o sepultamento; é dito que os povos israelenses estão revoltados com a incapacidade do governo, do exército, de protegerem suas vidas. Na reportagem, a BBC cita brevemente que civis também estão sendo assassinados em Gaza e que os israelenses negam que a violência dos dois lados (neste caso, Hamas e Israel) seja semelhante pela forma que matam e morrem, logo termina a matéria com as descrições dos soldados israelenses sobre os ataques.
A matéria da BBC foi escrita por Jeremy Bowen, editor da BBC em Israel, o enfoque está sobre o ataque do Hamas, porém no decorrer do texto, o tom adotado parece querer mostrar um lado onde apenas os israelenses sofrem com essa guerra. Apesar dessa visão extremamente empática com Israel e somente para com ele, o escritor relatou, superficialmente, que os palestinos também estão tendo seu sangue derramado na terra árida do Oriente Médio.
Já na Agência Brasil temos o relato do contra-ataque de Israel. A matéria começa com a descrição de como os ataques aéreos de Israel devastaram diversos distritos em Gaza, deixando claro que tal bombardeamento seria uma vingança ao ataque do grupo Hamas no sábado (7).
A reportagem cita que o grupo Hamas ainda ameaçou a fazer a execução de reféns para cada ponto atingido dentro de Gaza, mas sem nenhuma prova de que isso realmente foi cumprido até o final do dia. A Agência conta com as falas do ministro da Defesa de Israel, onde ele afirma que os ataques pelo ar foram só o começo e que logo depois teriam soldados indo por terra para a ofensiva, talvez cita a exata fala do ministro em que ele diz “O que estava em Gaza não existirá mais”.
É relatado que o necrotério ficou cheio de corpos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza as estimativa de mortos passam de 800, e que foi pedido que reclamassem os seus mortos o mais rápido possível pois não havia muito espaço para todos, um sobrevivente diz que não tem lugar seguro em Gaza pois todos os lugares são alvejados. A matéria também mostra uma fala do alto comissário da ONU, Volker Turk, e ressalta que ele criticou os dois lados dos ataques; tanto o Hamas quanto Israel, atingiram pessoas inocentes e que, de acordo com os direitos humanos, tem-se a obrigação de “poupar a população civil”. Logo se encerra com uma recapitulação dos ataques de sábado (7), diz que ainda não houve uma contagem oficial, completa, dos mortos e desaparecidos neste ataque a kibutz; também conta com falas de um sobrevivente e de um major-general israelense.
A Agência Brasil conseguiu se manter o mais imparcial possível, retratando os ataques de forma consciente, que ambos israelenses e palestinos sofrem com essa guerra. Teve a sensibilidade de noticiar imparcialmente, de manter a empatia pelos dois povos que são transpassados por esse conflito sem fim. A matéria terminou com a ‘Trilha de Sangue’, que adiciona informações sobre o resultado do ataque do grupo Hamas; tanto com relatos quanto informações passadas por fontes confiáveis, e mantém a posição de que todos são prejudicados por tais ataques.
Sobre os ataques de sábado (7) e terça-feira (10), a matéria do Correio Braziliense traz dados dos mortos e questiona quando, e com quais condições, que todo esse conflito irá acabar. Logo começa a contextualizar a guerra com a declaração de Balfour, passando pela revolta árabe; o plano de partilha das Nações Unidas; e outros acontecimentos que causaram o conflito que perdura até hoje.
Os grupos paramilitares sionistas (os sionistas fazem parte do movimento político que defendia a restauração do Estado judeu independente) são citados e a criação do Estado de Israel é descrita como não pacífica; em 1948, cerca de 78% do território da Palestina foi ocupada pelos judeus.
É ressaltado que a guerra não é simples; com o decorrer da história, que é trazida aqui por essa matéria, é possível notar que esse conflito é tão complexo, e logo, é tido como um conflito impossível de resolver.
A matéria publicada no Correio Braziliense explica a cronologia da guerra que já dura cerca de 70 anos, com uma visão bastante ampla e histórica, desde 1917 até os recentes ataques. E por se tratar de uma linha do tempo, é mantida a imparcialidade e a matéria percorre o caminho dos fatos históricos; mostrando que ao longo destes 70 anos tiveram diversos conflitos que vitimaram pessoas inocentes e que continua massacrando outros civis até esse ano de 2023.
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