Os atletas pelo breaking, e o breaking para as Olimpíadas
- observatorioudfon
- 12 de mar. de 2024
- 4 min de leitura
Texto por: Ana Clara de Lima
A oficialização do Breaking como esporte olímpico se dará nas Olimpíadas deste ano em Paris. Por isso, conheça o breaking, e alguns de seus atletas, para acompanhar e torcer por nossos atletas neste ano.
Mesmo compartilhando os movimentos acrobáticos com a ginástica rítmica, dentro do breaking não há o ensaio de uma coreografia com determinada música escolhida. Feito de forma mais ‘espontânea’, os dançarinos treinam os movimentos e depois aplicam as técnicas com o estilo da música tocada. O Bruno Matheus da Silva (B-Boy Jacarezin), de 22 anos, deixou claro que dentro do breaking você pode adicionar estilos diferentes de dança, adaptando-os para combinar e impulsionar sua apresentação.

Cada atleta tem seu próprio repertório, “(...) O meu estilo eu baseio muito no que eu consumo. Na questão de filmes, e pessoas que eu me inspiro. Eu tenho muitos movimentos inspirados, na verdade, nos filmes do Chaplin, do Bruce Lee. Filmes antigos, Filmes de faroeste, de Kung Fu. Eu tento misturar essas coisas que eu acho legal.”
O grupo Recanto City Break Crew é um grupo de breakdance criado no ano de 2023, tendo seus treinos feitos nas terças-feiras e quintas-feiras a partir das oito horas da noite. Os encontros são feitos no Salão Comunitário do Riacho Fundo I, onde em outros horários tem aulas de karatê e o programa de Ginástica nas Quadras. Conta com a liderança do Alisson da Silva Neres (B-Boy Neres), que com seus 30 anos tem mais de dez anos de experiência dentro do breaking.
O breakdance salvou a vida do Alisson, “Se não fosse pelo break, eu não estaria aqui hoje”. A proximidade da sua juventude com o mundo do crime e o uso de entorpecentes fez com que ele acabasse se envolvendo com esses meios, influenciado também por algumas pessoas com quem andava na época. Mas o breaking conseguiu o resgatar e o manter longe desse mundo; sua experiência prova que além de ser uma dança de rua popular, o break pode transformar as vidas dos jovens que o praticam. “Se não fosse o break, não teria outra coisa que teria me resgatado.”
“O breaking pra mim, ele representa 90% de mim. É… Se tem algo que nós representamos, esse algo é o break. (...) A gente representa algo maior que nós”. O B-Boy Neres afirma com sua experiência e afinidade.
E os relacionamentos desses atletas com o break são únicos para cada um, para Anderson dos Santos Vieira (B-Boy Anderson), de 29 anos, a dança é sua vida, algo essencial, ele respira o break. “É minha salvação, né? É tudo, é uma luz, é vida”. Já o B-boy Jacarezin, conseguiu por meio do break a cura de todos os seus problemas; sendo capaz de expurgar as coisas ruins, quando ele dança se sente livre e submerso em um mar de calmaria.
Disciplina; inclusão; respeito; companheirismo; humildade; e outros valores foram citados como algo que os dançarinos aprenderam com a cultura do break. O ato de dançar vai além das acrobacias, das técnicas, vão até as convicções dos jovens.
O Edson Pires Maciel Junior (B-Boy Negão), de 31 anos, diz que é casado com o breaking, “Eu tenho relacionamento com o break, entende? Tipo, pô, é que nem falo, tem três etapas, é trabalho, casa e o break, né, eu tenho que tirar um tempo pro break, eu tenho que treinar, eu tenho que juntar essa galera”. Conheceu a dança por meio de seu amigo Kel na infância, em um projeto da igreja e desde então Edson segue em um relacionamento sério com o break, competindo até hoje dentro dos campeonatos nacionais de breakdance.
Todos os entrevistados esperam que com as Olimpíadas, surjam oportunidades para o crescimento da dança, agora esporte; tendo a responsabilidade de cuidar do patrimônio de quase 50 anos que foi deixado para os jovens, como forma de resistência. Criando também uma visibilidade maior para a cultura do Breakdance, dando chance para que a nova geração possa se encontrar e vir a agregar o break.
As expectativas de cada um dos integrantes do Recanto City Break Crew quanto às Olimpíadas variam entre receio e alegria, com a grande visibilidade que se tem em um evento mundial. O medo aparece pela possibilidade das organizações acabarem ferindo a imagem do Breaking; isto é, que a alta cobertura acabe trazendo pontos com preceitos anteriores a cultura do Break. A transmissão das Olimpíadas também é o motivo de animação entre os atletas, as matérias que poderão resultar da seleção do Breaking trazem grande reconhecimento e atenção, não somente para os atletas dedicados a esse esporte bem como para a dança como cultura; puxando para perto novos atletas e contribuições para o enriquecimento do Break.
“O Breaking, ele está em qualquer lugar do mundo. Se eu for na Palestina, tem Breakings. Se eu for na Grécia, tem Breakings. (...) Então, ele já está espalhado em todo lugar. Cada lugar tem a sua essência e aqui no Brasil a gente também tem, a gente tem muitos talentos” também acreditam nos atletas representando o Brasil, pois se tem muito “break de excelência” dentro do país.
As expectativas à flor da pele contribuem para a esperança de que com a visibilidade das Olimpíadas, o Breaking passe a ser altamente valorizado; apreciado; e respeitado.
O breakdance, popularmente conhecido como breaking, é uma cultura completa e já ajudou diversos de seus atletas; podendo ter a mistura de outras culturas, e estilos de dança. Esse estilo de dança teve seu início por meio dos afro-americanos dos Estados Unidos na década de 70.
A partir do ano de 1980, o breakdance surgiu em São Paulo por meio do show do Public Enemy (banda de hip-hop norte-americana); essa introdução fez muito sucesso e diversos jovens da periferia começaram a se reunir, ouvindo rap; cantando e agora, reproduzindo os passos trazidos pela banda. Assim os primeiros B-Boys e B-Girls (como os dançarinos são conhecidos dentro do break) surgiram, espalhando até os mais diversos lugares e podendo aplicar outras danças dentro da apresentação.
Vale lembrar que o break dance, breaking, é um dos quatro elementos culturais que fazem parte do Hip-Hop. Junto dos DJs (cria as batidas das músicas), dos MCs (compõem as letras musicais) e do Grafite (arte de rua), o break entra dentro da composição desse grande movimento sociocultural.
Os passos feitos com o pé, o Footwork, precisam ficar condizentes com o tempo da música que estará tocando na hora; a pulsação dentro das músicas tocadas podem variar entre batidas lentas ou rápidas, e os atletas devem combinar seus conhecimentos com o tempo das batidas.



Depois do skate, veio aí o Breaking nas olimpíadas. Fico feliz em ver esportes "de rua" ganhando espaço!!
Excelente reportagem, já quero ver o Breaking nas olimpíadas representando o Brasil!!
Adorei conhecer um pouco mais sobre o breaking 😍