Jornalistas no mercado de trabalho, porque é difícil entrar? E como entrar?
- observatorioudfon
- 9 de dez. de 2023
- 7 min de leitura
Atualizado: 27 de mai. de 2024
Matéria por: João Augusto Pires
Se você aluno de jornalismo quer entrar no mercado de trabalho jornalístico, saiba
que desafios de aguardam, pois é um mercado muito disputado, com um grande índice de
arrependimento dos formandos, entrevistamos os professores, Guilherme Lobão de
Queiroz, além de professor é jornalista, e Larissa Ribeiro, ambos são professores do Centro
Universitário do Distrito Federal (UDF), nos quais não responderam apenas dúvidas como
também apresentaram dicas para passar por cima desses problemas mencionados.

Crédito da Imagem Shutterstock
Para se começar no mercado de trabalho jornalístico, de acordo com Guilherme,
você deve insistir enviando currículos para todo tipo de empresa de comunicação, não só
apenas nas focadas em jornalismo, pois o importante é começar, porém, se você tem o
sonho de entrar numa área específica do jornalismo, insista nessa área específica, mas não
deixe as outras de lado. A professora Larissa afirma que o mercado exige muita disposição,
então ela recomenda a entrada em cursos e se inteirar da área antes de buscar o emprego
em si.
Conforme o site “Guia da Carreira”, o mercado de trabalho jornalístico é bastante
disputado, tanto emprego quanto estágio, e é por isso que é tão difícil arrumar emprego
nessa área. Guilherme afirma que, ao mesmo tempo, onde é tudo muito disputado, às áreas
de política e economia sofrem carência, por isso sempre estão aparecendo vagas,
principalmente em Brasília e temos cada vez mais atuação no mercado jornalístico, mas
não necessariamente ligado ao jornalismo, ou seja, são empregos que utilizam habilidades
que pessoas formadas em áreas de comunicação como o próprio jornalismo possuem.
Portanto, se for pensar numa área mais específica do jornalismo, você terá um mercado
mais limitado, mas se pensarmos em todas as habilidades que uma pessoa formada em
jornalismo possa fazer, nós temos um mercado de trabalho vasto. Para a professora Larissa
o mercado tem vaga, mas apenas para os bons profissionais e aqueles que buscam se
especializar constantemente, a própria afirma que tem vários alunos, ex-alunos e colegas
de trabalho, que investiram em sua formação, ficam dificilmente desempregados, a
dificuldade se deve porque existem inúmeras pessoas formadas na área e a comunicação é
impactada pela questão da desregulamentação, ou seja, você não precisa ser formado em
jornalismo para ser um jornalista e isso exige ainda mais dos futuros profissionais nos quais
busquem capacitação e especialização cada vez maior no mercado de trabalho.
Conforme a Universidade de Georgetown (EUA) divulgou um relatório intitulado “The
College Payoff” no qual afirma que o curso de jornalismo lidera o ranking de formados
arrependidos por escolherem o curso. Foi questionado isso ao professor e jornalista onde
diz ter conhecimento sobre a pesquisa, ele afirma que o jornalismo passou por 6 anos
sofrendo ataques políticos consistentes, assim descredibilizando da própria verdade e
quando a verdade entra em crise o jornalismo entra em crise. Por problemas como esse,
Guilherme considera que este seja o motivo do número tão alto de formatos arrependidos, e
não só no Brasil e sim no mundo. Talvez os protagonistas dessa descredibilização ao
jornalismo, conforme o professor, sejam uma ala política que despreza a coerência, o fato e
a democracia. E tudo isso afeta a autoestima dos estudantes e dos formados onde eles
chegam em um mercado o qual está sendo descredibilizado. Larissa Ribeiro enxerga o que
faz os alunos se arrependerem muito e a questão das dificuldades profissionais, a
professora afirma que atualmente ela ver ofertas De estágios ótimas que não acompanham
a realidade da contratação, ela cita um exemplo fictício de uma aluno onde começa em um
estágio recebendo 1500 reais e espera que após formado ele ganhe pelo menos 5000 reais,
mas muitas vezes não é a realidade do recém formado ele irá encontra vagas de 2000,
2500 ou beirando os 3000 reais e isso gera um certo arrependimento além da dificuldade do
primeiro emprego na qual essa dificuldade existe para todas as profissões, muitas vezes a
expectativa não corresponde à realidade.
Muitos trabalhos no mercado de trabalho atual requerem um diploma, foi perguntado
aos professores se realmente é obrigatório ter um diploma. Guilherme afirma que
atualmente não é mais obrigatório ter um diploma de jornalismo, devido à lei decreto-lei 972
/69, a lei foi criada para corrigir problemas das empresas, onde eram obrigadas a contratar
jornalistas, na prática, essa lei não adiantou de nada, pois ninguém vai contratar um
jornalista e sindicando, mesmo discordando da lei, o professor e jornalista enxerga um lado
bom nela, se uma pessoa já praticava o jornalismo e não tem diploma ela agora não é muito
desacreditada devido à lei. A professora Larissa acrescenta que as empresas preferem
contratar jornalistas formados pela diminuição do custo de treinamento, a importância do
diploma prova que os anos de faculdade do aluno formaram alguém com olhar crítico e
humano, traz um posicionamento mais consciente e um profissional mais amplo e
preparado para o mercado de trabalho.
Foi perguntado aos professores de quais matérias um estudante de jornalismo deve
e vai estudar numa faculdade de jornalismo. Para Guilherme Lobão a matéria mais
importante é a de comunicação, ou seja, compreender a teoria da comunicação, o
fenômeno comunicacional e a episteme comunicacional, sendo a base qual será feita em
toda a discussão em sala de aula e a formação de todo comunicador, á também outros
conhecimentos que o jornalista precisa saber além dessas, como a Cibercultura
fundamental para conhecermos o nosso tempo, e a Teorias do jornalismo onde apresenta
características específicas do próprio jornalismo, o jornalismo também é um trabalho
laboratorial devido ao seu trabalho prático. Larissa Ribeiro acrescenta dizendo que o curso
de jornalismo não especializa o aluno, é dever do aluno se aprofundar nessas matérias que
lhes foram apresentadas e ensinadas, para isso ocorrer.
Sobre o perfil ideal de um jornalista, não existe um específico, mas de acordo com
Guilherme Lobão se formos pensar em um perfil para um jornalista, ele precisa ser uma
pessoa curiosa e comunicativa, mas não no sentido social e sim no sentido de se expressar,
pessoas são comunicativas por meio das escritas, da arte, do vídeo e por outras formas de
expressão. Com isso ela terá um perfil muito importante para o jornalismo, assim como
também o perfil da curiosidade. A opinião de Larissa não é diferente, ela acrescenta que o
jornalista deve buscar informações de qualidade, um perfil de um jornalista deve ser um
profissional mais humano, ético, ter compromisso com a verdade e sempre lembrar que ele
exerce uma função social, ele trabalha para a sociedade.
Segundo os professores, um jornalista recebe em média entre 3.500 e 3.800 reais.
Lobão considera um salário razoável para a realidade brasileira, mas longe de ser justo
para a própria pessoa sobreviver e para o próprio exercício da profissão, que é uma
profissão de risco, e é um serviço essencial para a humanidade, o direito à informação, o
que está na constituição inclusive. O jornalista formado vai trabalhar recebendo entre esses
salários e o teto dele vai ser estabelecido com mais ou menos o dobro disso em média, mas
como todas as profissões terá pessoas recebendo a mais do que o mínimo, essas pessoas
fazem parte dos 3% aos jornalistas que ganham muito dinheiro porque entraram em mídias
muito grandes e conseguiram um reconhecimento enorme.
Existem várias áreas de trabalho no mercado jornalístico, a mais crescente é a
assessoria de comunicação, conforme o jornalista Guilherme Lobão, está área cuida e
apresenta a “imagem” da empresa ou da associação exercita pelo comunicador que
trabalha nela, também está aparecendo com força os conhecimentos sobre comunicação
organizacional, onde você presta serviços jornalísticos para as instituições conseguirem se
posicionar melhor no mercado e conseguir dialogar com os veículos de mídia, ou ser eles
próprios mídia, ou seja, fazer suas próprias coberturas e entre outros trabalhos jornalísticos.
A maior área no sentido de conhecimento público e de relevância para Lobão é a redação
jornalística, na qual é utilizada tanto para rádio, televisão, internet, jornal impresso e
qualquer tipo de jornalismo escrito. Uma atuação muito conhecida segundo o professor e
jornalista é o marketing, nessa área se faz “copyright”, criação de infoproduto, criação de
e-books e entre outros, então o estudante de jornalismo vai adquirir conhecimento de
trabalhar com outros produtos além da reportagem em si. O jornalista pode investir em
empreendedorismo, o qual está cada vez mais requisitado, onde você pode trazer sua ideia
e a partir dele criar uma mídia, veículo e uma forma de se poder criar relevância para a
sociedade e conseguir ser autor remunerado por isso.
A principal dica que Guilherme Lobão dá para quem quer se formar na área e entrar
no mercado de trabalho é ler, ouvir e assistir, ou seja, esteja em contato com a notícia e
com os produtores de notícia, busque conteúdos estabelecidos como jornalísticos e não só
informativos, mas procure de uma forma intencional de ficar por dentro das notícias e dos
veículos que existem. A dica que a professora Larissa dá é que você crie seu próprio
portfólio e desenvolva bons trabalhos, pois isso vai lhe ajudar a destacar no mercado de
trabalho, ela também dá a dica de trabalhar em “networking”, para gerar uma confiança
onde você é capaz de fazer certos trabalhos.
Portanto, se você quer entrar no mercado de trabalho jornalístico, entregue
currículos para todas as áreas da comunicação que exercem habilidades de jornalistas, mas
não precisa desistir da área de jornalismo, mas no começo não foque em algo específico,
caso queira se sustentar, também estude e se aprofunde, entre em cursos se possível, pois
o mercado exige muita disposição, então ter vasto conhecimento é necessário para se
destacar. Apesar de ser um mercado bastante disputado, existem sim áreas com carência
de funcionários, como a de política e economia, principalmente em Brasília, então essas
áreas podem ser um ótimo começo. 87% dos formados em jornalismo se arrependem de ter
se formado no curso, isso se deve a uma descredibilização ao mercado de trabalho
jornalístico, ferindo assim a autoestima dos recém formados na área, também existe a
influência do fator de expectativa contra realidade. O diploma não é mais obrigatório devido
à lei 972 /69, porém mesmo com a lei as empresas ainda dão prioridade às pessoas com
diploma devido ao pouco custo que isso gera. As matérias estudadas no curso de
jornalismo são muito ligado a comunicação, também se aprende no curso não só teoria,
como também prática e técnica, algumas das matérias que se destacam são Teorias do
Jornalismo e Cibercultura. O perfil ideal de um jornalista é ser curioso, consumir muito
conteúdo jornalístico, ser uma pessoa com ética e ter compromisso com a verdade. O
salário em média de um jornalista é entre 3500 e 3800, o que não é justo para quem exerce
a função, mas se você se destacar bastante na profissão é possível que você receba, além
disso. As áreas que mais se destacam no mercado são assessoria de comunicação,
redação em seus diversos veículos e marketing.



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