Brasília 64 anos: A cidade planejada foi construída com sangue e suor
- Luiz Fellipe Alves

- 22 de abr. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de set. de 2024
Texto por: Luiz Fellipe Alves
No dia 8 de fevereiro de 1959, pouco antes da inauguração de Brasília, cerca de 180 trabalhadores foram assassinados pela Guarda Especial de Brasília (GEB) por conta de manifestações e indagações sobre as condições de trabalho. O massacre da construtora Pacheco Fernandes foi um dos mais sangrentos casos de violência policial na nova capital, que completa 64 anos sem qualquer reparação histórica.

Esse caso sempre é relembrado esporadicamente, mas nunca relacionado a datas importantes da capital federal, como a de hoje, 21 de abril, aniversário de Brasília. A publicação mais recente de um grande jornal aconteceu em 27 de janeiro de 2024, pelo Correio Braziliense. Como na época, o massacre da Pacheco Fernandes continua mencionado eventualmente, mas nunca digno de um esforço de reportagem profundo e sistemático
Mais de 40 mil trabalhadores enfrentavam jornadas cruéis, falta de alimentação e acomodações adequadas. O pior a ser relatado foi o da construtora Pacheco Fernandes, na Vila Planalto. Os trabalhadores enfrentavam um refeitório não preparado para receber a quantidade de trabalhadores, comida de péssima qualidade e até mesmo crua, camas de palha e banheiros com buracos cavados no chão pelos próprios trabalhadores para fazerem suas necessidades.
No carnaval de 1959, uma revolta foi iniciada no refeitório da construtora. Dois operários, ao reclamarem da qualidade da comida servida, inflamaram uma rebelião que tomou conta do local, com as devidas proporções tomadas, dois soldados da GEB foram mandados. Os dois soldados foram cercados pelos trabalhadores e foram obrigados a recuar. Algumas horas após, cerca de 30 soldados da GEB invadiram o alojamento pela noite e executaram vários deles.
Oficialmente, é confirmado que os soldados voltaram e atiraram dentro do alojamento, porém, a investigação só constatou uma morte e 48 feridos, versão que é confrontada por diversos relatos que dizem que vários caminhões foram vistos com a caçamba cheia de corpos.
Durante a construção de Brasília vidas foram perdidas, comunidades inteiras realocadas para situações precárias, pessoas enganadas e nossos representantes da voz do povo só contam os louros da vitória da inauguração da cidade monumental em meio à aridez do planalto, esquecendo o quão árduo foi para os trabalhadores que deram seu suor e sangue para construir o sonho de Dom Bosco.



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