08 de janeiro, o um ano do acontecimento do pior ataque a democracia dadécada
- observatorioudfon
- 8 de jan. de 2024
- 3 min de leitura
Redação por: Maria Fernanda Oliveira

Foto que registra momento da invasão em 8 de janeiro de 2023 Reprodução:internet
Brasília, 8 de Janeiro de 2023 - Uma data que ficará marcada na memória da capital
do Brasil, não apenas pelos seus eventos políticos, mas também pelas reviravoltas
que sacudiram o cenário da cidade. O que começou como uma rotina diária
rapidamente se transformou em uma série de acontecimentos que moldaram o
curso da política e da sociedade no país.
No final de semana do ataque em Brasília, centenas de ônibus foram até a capital do
DF levando outras milhares de pessoas. O espírito democrático prevê a livre
manifestação de opinião. Isso é um fato. Portanto, manifestar-se contra o resultado
de uma eleição, ainda que legitimamente constituída, é genuíno. O problema é
quando a barbárie coloca em xeque a jovem e ainda frágil democracia no país, sob o
argumento de liberdade de expressão.
As ações estavam sendo combinadas pelas mídias sociais e, há semanas,
apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já faziam manifestações
questionando o resultado das eleições em outubro de 2022.
Porém, no início da tarde daquele domingo, uma centena de pessoas seguiu em
direção ao Congresso, escoltada pela Polícia Militar, momento no qual iniciaram-se
os ataques. A PM não conseguiu conter a multidão, que, enfurecida, invadiu os
prédios. Com os prédios tomados, a polícia fez uso de bombas e gás lacrimogêneo,
mas, mesmo com o auxílio da cavalaria e Tropa de Choque, a invasão ao Congresso
Nacional não pode ser evitada.
No momento da invasão ao Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava
em São Paulo, mas assim que tomou conhecimento dos atentados decretou
intervenção federal para assumir a segurança pública do DF até o dia 31 de janeiro.
O decreto foi aprovado pelo Congresso Nacional na terça-feira, dois dias depois dos
ataques.
Além disso, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, também afastou o governador
do DF, Ibaneis Rocha, por 90 dias. Há suspeitas de que houve omissão por parte do
governo, uma vez que as ações já estavam sendo arquitetadas pelas mídias sociais
e, portanto, já podiam ser previsíveis e evitáveis, com o reforço da segurança do
local.
Enquanto os acontecimentos se desdobravam nas esferas políticas, as redes
sociais tornaram-se o epicentro da opinião pública. Cidadãos expressaram suas
opiniões, apoiando ou contestando as decisões tomadas. Hashtags relacionadas
aos eventos do dia rapidamente se tornaram tendências nacionais, refletindo a
mobilização online.
Outra medida tomada é a investigação de quem estaria por trás dos atos, ou seja,
pessoas e empresas que teriam financiado o deslocamento dos manifestantes,
alimentação e até mesmo os acampamentos que estavam montados em frente ao
Exército. Um ano depois, porém, o país está longe de acertar as contas com sua
história.
Dois dias após a invasão, mais de 1.500 pessoas foram presas. Algumas, autuadas
por crimes de menor potencial ofensivo, foram liberadas após a assinatura dos
termos circunstanciados, outras levadas para o Complexo da Papuda e para a
Penitenciária Feminina do DF. Entre os crimes para os quais estas pessoas
poderiam ser autuadas estão: Dano ao patrimônio público da União, Crimes contra o
patrimônio cultural, Associação criminosa, Abolição violenta do Estado Democratico
de Direito, Golpe de Estado.
Sendo assim, um ano após os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, Brasília
emerge não apenas como palco de um capítulo turbulento, mas como um
laboratório de lições aprendidas. Os desafios e triunfos desse dia continuam a
inspirar um sentido renovado de participação cívica e a convicção de que, em meio
ao caos, há oportunidade para a transformação duradoura. Manifestação,
terrorismo, vandalismo, golpe. Com todas as possíveis definições e controvérsias, o
fato é que a liberdade de expressão e o direito de manifestação perdem, esses sim,
o sentido quando passam a ser um ataque direto às instituições basilares que
sustentam o regime democrático.



Parabéns pela matéria, um episódio que nunca vai ser esquecido. Espero que nosso país não precise passar por esse tipo de episódio de novo.
Achei maravilhosa está matéria e muito bem feita. Parabéns a Maria Fernanda por ter feito um excelente trabalho.❤️❤️